O IBOPE Opinião apresentou uma pesquisa inédita sobre o comportamento
da sociedade brasileira no que diz respeito à ética
na política. O estudo "Corrupção na Política:
Eleitor Vítima ou Cúmplice" propõe a reflexão
sobre até que ponto os problemas éticos enfrentados pela sociedade
brasileira estão de fato concentrados em suas elites e lideranças
ou se trata de uma conduta social presente em todas as camadas e grupos
de nossa sociedade. Os resultados são expressivos e confirmam as duas principais hipóteses
propostas pelo estudo: 69% dos eleitores brasileiros já transgrediram
alguma lei ou descumpriram alguma regra contratual, para obter benefícios
materiais, de forma consciente e intencional e 75% acreditam que cometeriam
pelo menos um dos 13 atos de corrupção avaliados pelo estudo,
caso tivessem a oportunidade. Para testar a primeira hipótese foram listadas 13 irregularidades
do dia-a-dia e os entrevistados responderam se eles próprios já
haviam cometido alguma delas, se conheciam alguém que já as
praticara e se os brasileiros as praticam. No caso das respostas sobre o
próprio entrevistado, duas práticas apresentam incidências
significativamente maiores: "comprar produtos pirata" (55%) e
"caixinha ou gorjeta para se livrar de multa" (14%). Por outro lado, ao opinarem sobre as pessoas que conhecem, ainda que esses
mesmos dois itens mantenham destaque com 70% e 44% respectivamente, a incidência
nos outros sobe de patamar. As 13 irregularidades avaliadas Já a segunda hipótese da pesquisa avaliou que a maioria dos
eleitores brasileiros tolera algum tipo de corrupção por parte
de seus representantes ou governantes eleitos. Neste caso também
foram apresentados 13 incidências de corrupção na política
e os entrevistados responderam se os políticos e governantes praticam,
se os brasileiros praticam e se ele próprio praticaria se tivesse
oportunidade. Os resultados mostram que 59% dos entrevistados aceita a escolha de familiares
ou pessoas conhecidas para cargos de confiança e 43% admitem que
se aproveitem viagens oficiais para lazer próprio e de familiares. Os 13 atos de corrupção política analisados A partir dos resultados aferidos nessa pesquisa, o IBOPE Opinião
incrementa seus serviços relacionados à política. "Essa
ferramenta enriquecerá ainda mais nossas análises sobre marketing
político e, desta forma, nossos clientes terão resultados
cada vez mais precisos e fundamentais para subsidiar suas tomadas de decisões,
especialmente em campanhas estaduais e federais, como as deste ano",
afirma Silvia Cervellini, Diretora de Atendimento do IBOPE Opinião. Sobre a pesquisa Período: A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 16 de janeiro
de 2006. Fonte: IBOPE OpiniãoCorrupção
na Política: Eleitor Vítima ou Cúmplice
1. Quando tem oportunidade, tenta dar uma "caixinha" ou "gorjeta"
para se livrar de uma multa
2. Sonega impostos
3. Recebe benefícios do governo, sabendo que não tem direito
a eles
4. Adquire documentos falsos ou falsifica documentos para obter algum tipo
de vantagem (exemplo: identidade, carteira de motorista, carteirinha de
estudante, diploma etc)
5. Quando tem uma oportunidade, pede mais de um recibo por um mesmo procedimento
médico para obter mais reembolso do plano de saúde
6. Compra produtos que copiam os originais de marcas famosas sabendo que
são piratas ou falsificados
7. Quando tem uma oportunidade, faz ligação clandestina ou
"gato" de TV a cabo, ou seja, aproveita a instalação
do vizinho
8. Quando tem uma oportunidade, faz ligação clandestina ou
"gato" de água ou luz
9. Se tem chance, pega ou consome produtos em padarias, supermercados ou
outros estabelecimentos comerciais sem pagar
10. Apresenta atestados médicos falsos no trabalho ou na escola
11. Se tem seguro de carro ou de qualquer outro tipo, quando tem uma oportunidade,
frauda o seguro
12. Compra algo sabendo que é roubado
13. Falsifica atestado de saúde ou apresenta atestado de saúde
falsificado para conseguir aposentadoria precoce
Segunda hipótese
1. Escolher familiares ou pessoas conhecidas para cargos de confiança
2. Mudar de partido em troca de dinheiro ou cargo/emprego para familiares/pessoas
conhecidas
3. Contratar, sem licitação, empresas de familiares para prestação
de serviços públicos
4. Pagar despesas pessoais não autorizadas (como compras no cartão
de crédito ou combustível) com dinheiro público
5. Aproveitar viagens oficiais para lazer próprio e de familiares
6. Desviar recursos das áreas de saúde e educação
para utilizar em outras áreas
7. Aceitar gratificações ou comissões para escolher
uma empresa que prestará serviços ou venderá produtos
ao governo
8. Usar "caixa 2" em campanhas eleitorais
9. Superfaturar obras públicas e desviar o dinheiro para a campanha
eleitoral do político
10. Superfaturar obras públicas e desviar o dinheiro para o patrimônio
pessoal/familiar do político
11. Deputado ou Senador receber dinheiro de empresas privadas para fazer
e/ou aprovar leis que as beneficiem
12. O político contratar "funcionários fantasmas",
ou seja, pessoas que recebem salários do poder público sem
trabalhar e ele ficar com esse dinheiro
13. Trocar o voto a favor do governo por um cargo para familiar ou amigo
Resultados
Amostra: Foram entrevistados 2.002 eleitores em 143 municípios do
Brasil.
Margem de erro: É de dois pontos percentuais, para mais ou para menos,
considerando um grau de confiança de 95%.